Dra. Luísa Vieira Souto — Mastologista
Mamografia

Mamografia: a partir de que idade e de quanto em quanto tempo fazer?

Entenda as recomendações brasileiras para mamografia: quando começar, com que frequência, quando a mamografia digital é indicada e quem precisa fazer antes dos 40.

Dra. Luísa Vieira Souto · Mastologista · · Revisado em 09 de abril de 2026 · 6 min de leitura
Resumo rápido
  • A partir dos 40 anos: mamografia anual (recomendação da SBM).
  • Antes dos 40: só se houver sintomas (nódulo, secreção, alteração clínica) ou histórico familiar forte.
  • A partir dos 74: individualizar conforme saúde geral e expectativa de vida.
  • Preparo: não usar desodorante, talco ou cremes nas axilas e mamas no dia do exame. Agendar idealmente na 1ª semana após a menstruação.
  • Mamografia digital com tomossíntese (3D) é preferível em mamas densas.

O que é a mamografia

A mamografia é um exame de imagem que usa raios-X de baixa dose para detectar alterações nas mamas — principalmente nódulos e microcalcificações. É considerada o principal exame de rastreamento do câncer de mama e, há décadas, é a única estratégia com evidência robusta de redução de mortalidade pelo câncer de mama.

Existem duas modalidades principais:

  • Mamografia digital (2D): captura imagens em formato digital, permitindo ajuste de brilho e contraste.
  • Tomossíntese (3D): o aparelho gira em torno da mama e captura várias imagens em diferentes ângulos, gerando uma reconstrução tridimensional. Melhor em mamas densas e reduz a taxa de chamamento para novos exames.

Quando começar o rastreamento

Mulheres sem fatores de risco

Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) — recomendação atual:

  • Início: 40 anos
  • Frequência: anual
  • Até os 74 anos, em geral.
  • A partir dos 74 anos: individualizar conforme saúde geral, expectativa de vida e contexto clínico.

Mulheres com fatores de risco aumentado

Em mulheres com histórico familiar forte ou mutação genética (BRCA1, BRCA2, PALB2, TP53), o rastreamento começa mais cedo:

SituaçãoInício do rastreamento
Parente de 1º grau com câncer de mama antes dos 50 anos10 anos antes da idade de diagnóstico do parente (nunca antes dos 30 anos)
Mutação BRCA1/BRCA2 comprovada25–30 anos (RM anual + mamografia a partir dos 30)
Síndrome de Li-Fraumeni (TP53)20 anos (RM)
Radioterapia torácica antes dos 30 anos (ex.: Hodgkin)8 anos após a radioterapia

Como se preparar para a mamografia

No dia do exame:

  • Não use desodorante, talco, creme, perfume ou loção nas axilas, mamas ou parte superior do tronco. Esses produtos contêm partículas que podem aparecer como pontinhos brancos na imagem, simulando microcalcificações.
  • Use roupa de duas peças — você vai precisar despir a parte de cima.
  • Leve exames anteriores (CD, pendrive ou relatório impresso). A comparação com imagens antigas é crucial e aumenta a precisão diagnóstica.
  • Evite fazer na fase pré-menstrual ou durante a menstruação, se possível. A mama está mais sensível e a compressão dói mais.
  • Idealmente agende entre o 7º e o 14º dia do ciclo menstrual.

Durante o exame

A técnica pede que você fique de pé em frente ao mamógrafo. Cada mama é posicionada sobre uma plataforma e comprimida suavemente por uma placa transparente por alguns segundos, o tempo necessário para capturar a imagem. Geralmente são feitas duas incidências por mama:

  • Craniocaudal (CC): cima para baixo
  • Mediolateral oblíqua (MLO): diagonal

Todo o exame leva entre 10 e 20 minutos. A compressão pode causar desconforto (que varia muito entre mulheres), mas não deve ser insuportável. Se doer muito, avise a técnica — ela pode ajustar a posição.

Interpretando o resultado: a classificação BI-RADS

O laudo da mamografia usa um sistema padronizado internacional chamado BI-RADS, que vai de 0 a 6. Cada categoria indica o nível de suspeita do achado e a conduta recomendada. Leia o guia completo sobre BI-RADS.

Em resumo:

  • BI-RADS 1 ou 2: normal ou achado benigno — rastreamento de rotina.
  • BI-RADS 3: provavelmente benigno — controle em 6 meses.
  • BI-RADS 4 ou 5: suspeito ou altamente suspeito — biópsia.
  • BI-RADS 0: exame incompleto — precisa complementar.

Mamografia e radiação: há risco?

A dose de radiação de uma mamografia moderna é muito baixa — comparável à radiação de fundo que você recebe naturalmente em alguns meses de vida normal. O benefício da detecção precoce supera em muito o risco da exposição, especialmente a partir dos 40 anos. Para referência:

  • Uma mamografia bilateral: ~0,4 mSv
  • Voo transatlântico (ida e volta): ~0,1 mSv
  • Radiação natural anual de fundo: ~3 mSv

Mulheres grávidas devem informar o serviço antes do exame — em caso de necessidade real, usa-se proteção abdominal.

Mamografia não é infalível

Importante saber:

  • Mamas densas (comuns em mulheres jovens) reduzem a sensibilidade da mamografia. Nesses casos, a mastologista pode complementar com ultrassonografia ou ressonância magnética.
  • Cerca de 10-20% dos cânceres de mama podem não ser vistos na mamografia inicial. Por isso o exame clínico pela mastologista continua importante.
  • Falsos positivos acontecem: o laudo sugere alteração que depois se mostra benigna. Causa ansiedade, mas é o preço de um rastreamento sensível.

Mamografia + ultrassom: quando combinar

Nas seguintes situações, a mastologista pode pedir ultrassonografia junto com a mamografia:

  • Mamas densas (densidade C ou D)
  • Mulheres abaixo de 40 anos com sintomas — o ultrassom costuma ser o primeiro exame
  • Caracterização de nódulo encontrado na mamografia
  • Diferenciação entre cisto (líquido) e nódulo sólido

Em resumo

A mamografia continua sendo o exame-chave do rastreamento do câncer de mama. Começar no momento certo, manter a frequência adequada, preparar-se corretamente e interpretar o laudo com uma mastologista — tudo isso aumenta a eficácia do exame.

Se você tem 40 anos ou mais e nunca fez, ou se a última foi há mais de 2 anos, esta é uma boa hora para agendar.

Fontes

Perguntas frequentes

Com quantos anos começar a fazer mamografia?
A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda iniciar o rastreamento com mamografia anual a partir dos 40 anos em mulheres sem fatores de risco. Mulheres com histórico familiar de câncer de mama ou mutação genética devem começar antes, geralmente 10 anos antes da idade do diagnóstico do parente mais jovem afetado.
Mamografia todo ano ou a cada 2 anos?
A recomendação adotada aqui é rastreamento anual a partir dos 40 anos, conforme a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). A frequência pode ser individualizada conforme fatores de risco, histórico e contexto clínico.
Mamografia dói?
A compressão da mama durante o exame pode causar desconforto, especialmente em mamas densas ou no período pré-menstrual. A sensação varia muito entre mulheres. A compressão é necessária para reduzir a dose de radiação e melhorar a qualidade da imagem. Para reduzir o desconforto, procure agendar o exame na primeira semana após a menstruação.
Mamografia digital é melhor que a convencional?
Sim, especialmente em mulheres com mamas densas. A mamografia digital permite ajuste de contraste, melhor visualização de calcificações pequenas e, na tomossíntese (mamografia digital 3D), melhora ainda mais a detecção em mamas densas. A maior parte dos serviços modernos já usa equipamentos digitais.
Posso fazer mamografia amamentando?
Sim, é possível, mas geralmente evitamos porque as mamas estão mais densas e a interpretação fica mais difícil. Quando há necessidade real (nódulo palpável, suspeita clínica), a mamografia pode e deve ser feita — amamentar antes do exame ajuda a reduzir o volume glandular e melhorar a imagem.

Precisa de avaliação mastológica?

A Dra. Luísa Vieira Souto atende em Nova Iguaçu e na Barra da Tijuca.

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