Mastite: sintomas e tratamento (inclusive fora da amamentação)
Mastite não acontece só na amamentação. Entenda os tipos, causas, sintomas de alerta e tratamento da mastite puerperal e não-puerperal.
- Mastite é a inflamação (com ou sem infecção) do tecido da mama.
- Não acontece só na amamentação — existe a mastite não-puerperal, menos comum mas importante.
- Sintomas clássicos: dor, vermelhidão, calor, inchaço e, às vezes, febre.
- Na amamentação: continuar amamentando ajuda no tratamento. Esvaziar a mama é essencial.
- Antibióticos são indicados na maioria dos casos bacterianos.
- Se não melhorar em 1–2 semanas após tratamento, a mastologista deve reavaliar — pode ser necessário biópsia para descartar carcinoma inflamatório.
O que é mastite
Mastite é um termo genérico para inflamação do tecido mamário. Pode ser:
- Inflamatória não-infecciosa (causada por trauma, obstrução de ducto, estase de leite)
- Infecciosa bacteriana (mais comum)
- Infecciosa por outros agentes (rara: fungos, micobactérias)
- Granulomatosa idiopática (condição autoimune rara)
A forma mais conhecida é a mastite puerperal — que ocorre durante a amamentação. Mas existe também a mastite não-puerperal, que acontece em qualquer fase da vida, inclusive em homens (raro).
Mastite puerperal (da amamentação)
Estima-se que 10-20% das mulheres que amamentam apresentem mastite em algum momento. É mais comum nas primeiras semanas pós-parto.
Causas e fatores de risco
- Esvaziamento incompleto da mama
- Pega incorreta do bebê → fissuras no mamilo → porta de entrada para bactérias
- Frequência inadequada das mamadas (intervalos muito longos)
- Roupas apertadas que comprimem a mama
- Stress e cansaço
- Primeira amamentação (maior risco)
- Histórico de mastite em amamentação anterior
A bactéria mais comum é o Staphylococcus aureus, que entra pelas fissuras no mamilo e se multiplica no leite estagnado.
Sintomas
Começa geralmente em uma mama (raramente nas duas):
- Dor local intensa
- Vermelhidão em uma área da mama (frequentemente em formato de cunha)
- Calor ao toque
- Inchaço / endurecimento
- Febre (geralmente acima de 38°C)
- Mal-estar, dor no corpo, cansaço extremo
- Calafrios
Tratamento
O tratamento combina várias medidas:
- Continuar amamentando — é parte do tratamento. Esvaziar a mama ajuda a resolver o quadro. O leite é seguro para o bebê.
- Esvaziamento frequente — cada 2-3 horas, começando pela mama afetada. Se o bebê não aceitar, ordenhar manualmente ou com bomba.
- Calor local antes das mamadas (compressa morna, banho) — ajuda o leite a fluir.
- Frio local após as mamadas — reduz inchaço e dor.
- Analgésicos e antitérmicos compatíveis com amamentação (paracetamol, ibuprofeno).
- Repouso — tão importante quanto o antibiótico.
- Hidratação abundante.
- Antibiótico quando há febre alta, piora em 24h ou sinais claros de infecção.
Quando procurar consulta
- Febre persistente por mais de 24 horas
- Dor intensa que não melhora com analgésico
- Abaulamento que pode indicar abscesso
- Sintomas que não melhoram em 48-72 horas após início do tratamento
Abscesso mamário
Uma complicação grave da mastite é a formação de abscesso — uma bolsa de pus dentro da mama. Precisa de:
- Drenagem (por punção guiada por ultrassom ou, em casos grandes, cirurgia)
- Antibiótico de espectro adequado
- Continuidade da amamentação na mama não afetada (e na afetada, se possível)
Abscesso não tratado pode se tornar crônico e exige cuidado mastológico rigoroso.
Mastite não-puerperal
Mais rara, mas importante de reconhecer porque muitas vezes é confundida com câncer (ou o contrário: câncer inflamatório confundido com mastite).
Causas
- Ectasia ductal: dilatação dos ductos retromamilares, comum em mulheres acima de 40 anos. Pode inflamar e infectar secundariamente.
- Tabagismo: forte fator de risco para mastite não-puerperal crônica.
- Diabetes
- Obesidade
- Infecção secundária de cisto
- Piercing mamilar como porta de entrada
- Traumatismo
- Mastite granulomatosa idiopática: condição autoimune rara
Sintomas
Semelhantes à mastite puerperal, mas com algumas diferenças:
- Dor e vermelhidão
- Nódulo inflamatório
- Secreção pelo mamilo (às vezes purulenta)
- Fistulização (um orifício cutâneo que drena secreção) em casos crônicos
- Retração do mamilo em casos crônicos (pode simular câncer)
Tratamento
Depende da causa:
- Antibiótico de amplo espectro (que cubra bactérias aeróbias e anaeróbias)
- Drenagem de abscessos
- Punção diagnóstica para cultura e avaliação
- Biópsia se houver dúvida ou se não melhorar
- Cessar o tabagismo (crucial para mastite tabágica)
- Corticosteroides no caso de mastite granulomatosa
- Cirurgia em casos crônicos ou recorrentes
Quando a mastite pode ser algo mais grave
Existe uma forma rara e agressiva de câncer de mama chamada carcinoma inflamatório. Ele imita perfeitamente uma mastite:
- Vermelhidão difusa, às vezes em grande parte da mama
- Calor
- “Casca de laranja” na pele
- Inchaço
- Pode não haver nódulo palpável
- Raramente causa febre (ao contrário da infecção)
Quando suspeitar:
- Mulher sem amamentação com quadro arrastado
- Sintomas sem febre ou sintomas sistêmicos
- Não melhora após 1-2 semanas de antibiótico
- Progressão apesar do tratamento
- Linfonodos axilares aumentados
Conduta: biópsia da pele e do tecido suspeito. O carcinoma inflamatório é agressivo, mas tem tratamento — e o diagnóstico precoce muda muito o prognóstico.
Prevenção na amamentação
Como prevenir a mastite puerperal:
- Pega correta do bebê desde o início. Um consultor de lactação pode ajudar muito nas primeiras semanas.
- Esvaziar as mamas em cada mamada; variar posições.
- Não pular mamadas — se o bebê dorme muito, ordenhar.
- Tratar fissuras imediatamente — creme à base de lanolina, secagem ao ar.
- Evitar sutiãs apertados; preferir modelos próprios para amamentação.
- Descansar o máximo possível.
- Hidratar-se bem.
- Ao primeiro sinal de ingurgitamento (mama endurecida, dolorida), ordenhar o excedente.
Quando procurar mastologista
Além do pediatra ou consultor de lactação (que ajuda com aspectos da amamentação), procure mastologista quando:
- Mastite não melhora após 48-72 horas de tratamento
- Formou-se um abscesso
- Você não está amamentando e apresenta sintomas de mastite
- Há mastite recorrente (mais de 2 episódios)
- Há fistulização ou drenagem crônica
- O quadro começou após a menopausa
- Há suspeita clínica de algo além de infecção
Mensagem final
Mastite é uma condição tratável — e, quando bem cuidada, resolve sem sequelas. O problema é adiar o tratamento ou confundir com outra condição. Se você está amamentando e tem sintomas, aja rápido: esvazie a mama, use calor, descanse, hidrate-se e procure ajuda. Se você não está amamentando e tem sintomas de “mastite”, também procure — porque a avaliação precisa ir além do diagnóstico rápido.
Fontes
- Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).
- Academy of Breastfeeding Medicine — Protocol for Mastitis Spectrum.
- Ministério da Saúde — Saúde da Mulher.
- Organização Mundial da Saúde (OMS) — Mastite: causas e manejo.
Perguntas frequentes
Mastite só acontece na amamentação?
Mastite precisa de antibiótico?
Posso continuar amamentando com mastite?
Mastite pode ser câncer?
Como prevenir mastite durante a amamentação?
Precisa de avaliação mastológica?
A Dra. Luísa Vieira Souto atende em Nova Iguaçu e na Barra da Tijuca.
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