Dra. Luísa Vieira Souto — Mastologista
Mastite

Mastite: sintomas e tratamento (inclusive fora da amamentação)

Mastite não acontece só na amamentação. Entenda os tipos, causas, sintomas de alerta e tratamento da mastite puerperal e não-puerperal.

Dra. Luísa Vieira Souto · Mastologista · · Revisado em 09 de abril de 2026 · 6 min de leitura
Resumo rápido
  • Mastite é a inflamação (com ou sem infecção) do tecido da mama.
  • Não acontece só na amamentação — existe a mastite não-puerperal, menos comum mas importante.
  • Sintomas clássicos: dor, vermelhidão, calor, inchaço e, às vezes, febre.
  • Na amamentação: continuar amamentando ajuda no tratamento. Esvaziar a mama é essencial.
  • Antibióticos são indicados na maioria dos casos bacterianos.
  • Se não melhorar em 1–2 semanas após tratamento, a mastologista deve reavaliar — pode ser necessário biópsia para descartar carcinoma inflamatório.

O que é mastite

Mastite é um termo genérico para inflamação do tecido mamário. Pode ser:

  • Inflamatória não-infecciosa (causada por trauma, obstrução de ducto, estase de leite)
  • Infecciosa bacteriana (mais comum)
  • Infecciosa por outros agentes (rara: fungos, micobactérias)
  • Granulomatosa idiopática (condição autoimune rara)

A forma mais conhecida é a mastite puerperal — que ocorre durante a amamentação. Mas existe também a mastite não-puerperal, que acontece em qualquer fase da vida, inclusive em homens (raro).

Mastite puerperal (da amamentação)

Estima-se que 10-20% das mulheres que amamentam apresentem mastite em algum momento. É mais comum nas primeiras semanas pós-parto.

Causas e fatores de risco

  • Esvaziamento incompleto da mama
  • Pega incorreta do bebê → fissuras no mamilo → porta de entrada para bactérias
  • Frequência inadequada das mamadas (intervalos muito longos)
  • Roupas apertadas que comprimem a mama
  • Stress e cansaço
  • Primeira amamentação (maior risco)
  • Histórico de mastite em amamentação anterior

A bactéria mais comum é o Staphylococcus aureus, que entra pelas fissuras no mamilo e se multiplica no leite estagnado.

Sintomas

Começa geralmente em uma mama (raramente nas duas):

  • Dor local intensa
  • Vermelhidão em uma área da mama (frequentemente em formato de cunha)
  • Calor ao toque
  • Inchaço / endurecimento
  • Febre (geralmente acima de 38°C)
  • Mal-estar, dor no corpo, cansaço extremo
  • Calafrios

Tratamento

O tratamento combina várias medidas:

  1. Continuar amamentando — é parte do tratamento. Esvaziar a mama ajuda a resolver o quadro. O leite é seguro para o bebê.
  2. Esvaziamento frequente — cada 2-3 horas, começando pela mama afetada. Se o bebê não aceitar, ordenhar manualmente ou com bomba.
  3. Calor local antes das mamadas (compressa morna, banho) — ajuda o leite a fluir.
  4. Frio local após as mamadas — reduz inchaço e dor.
  5. Analgésicos e antitérmicos compatíveis com amamentação (paracetamol, ibuprofeno).
  6. Repouso — tão importante quanto o antibiótico.
  7. Hidratação abundante.
  8. Antibiótico quando há febre alta, piora em 24h ou sinais claros de infecção.

Quando procurar consulta

  • Febre persistente por mais de 24 horas
  • Dor intensa que não melhora com analgésico
  • Abaulamento que pode indicar abscesso
  • Sintomas que não melhoram em 48-72 horas após início do tratamento

Abscesso mamário

Uma complicação grave da mastite é a formação de abscesso — uma bolsa de pus dentro da mama. Precisa de:

  • Drenagem (por punção guiada por ultrassom ou, em casos grandes, cirurgia)
  • Antibiótico de espectro adequado
  • Continuidade da amamentação na mama não afetada (e na afetada, se possível)

Abscesso não tratado pode se tornar crônico e exige cuidado mastológico rigoroso.

Mastite não-puerperal

Mais rara, mas importante de reconhecer porque muitas vezes é confundida com câncer (ou o contrário: câncer inflamatório confundido com mastite).

Causas

  • Ectasia ductal: dilatação dos ductos retromamilares, comum em mulheres acima de 40 anos. Pode inflamar e infectar secundariamente.
  • Tabagismo: forte fator de risco para mastite não-puerperal crônica.
  • Diabetes
  • Obesidade
  • Infecção secundária de cisto
  • Piercing mamilar como porta de entrada
  • Traumatismo
  • Mastite granulomatosa idiopática: condição autoimune rara

Sintomas

Semelhantes à mastite puerperal, mas com algumas diferenças:

  • Dor e vermelhidão
  • Nódulo inflamatório
  • Secreção pelo mamilo (às vezes purulenta)
  • Fistulização (um orifício cutâneo que drena secreção) em casos crônicos
  • Retração do mamilo em casos crônicos (pode simular câncer)

Tratamento

Depende da causa:

  • Antibiótico de amplo espectro (que cubra bactérias aeróbias e anaeróbias)
  • Drenagem de abscessos
  • Punção diagnóstica para cultura e avaliação
  • Biópsia se houver dúvida ou se não melhorar
  • Cessar o tabagismo (crucial para mastite tabágica)
  • Corticosteroides no caso de mastite granulomatosa
  • Cirurgia em casos crônicos ou recorrentes

Quando a mastite pode ser algo mais grave

Existe uma forma rara e agressiva de câncer de mama chamada carcinoma inflamatório. Ele imita perfeitamente uma mastite:

  • Vermelhidão difusa, às vezes em grande parte da mama
  • Calor
  • “Casca de laranja” na pele
  • Inchaço
  • Pode não haver nódulo palpável
  • Raramente causa febre (ao contrário da infecção)

Quando suspeitar:

  • Mulher sem amamentação com quadro arrastado
  • Sintomas sem febre ou sintomas sistêmicos
  • Não melhora após 1-2 semanas de antibiótico
  • Progressão apesar do tratamento
  • Linfonodos axilares aumentados

Conduta: biópsia da pele e do tecido suspeito. O carcinoma inflamatório é agressivo, mas tem tratamento — e o diagnóstico precoce muda muito o prognóstico.

Prevenção na amamentação

Como prevenir a mastite puerperal:

  • Pega correta do bebê desde o início. Um consultor de lactação pode ajudar muito nas primeiras semanas.
  • Esvaziar as mamas em cada mamada; variar posições.
  • Não pular mamadas — se o bebê dorme muito, ordenhar.
  • Tratar fissuras imediatamente — creme à base de lanolina, secagem ao ar.
  • Evitar sutiãs apertados; preferir modelos próprios para amamentação.
  • Descansar o máximo possível.
  • Hidratar-se bem.
  • Ao primeiro sinal de ingurgitamento (mama endurecida, dolorida), ordenhar o excedente.

Quando procurar mastologista

Além do pediatra ou consultor de lactação (que ajuda com aspectos da amamentação), procure mastologista quando:

  • Mastite não melhora após 48-72 horas de tratamento
  • Formou-se um abscesso
  • Você não está amamentando e apresenta sintomas de mastite
  • Há mastite recorrente (mais de 2 episódios)
  • Há fistulização ou drenagem crônica
  • O quadro começou após a menopausa
  • Há suspeita clínica de algo além de infecção

Mensagem final

Mastite é uma condição tratável — e, quando bem cuidada, resolve sem sequelas. O problema é adiar o tratamento ou confundir com outra condição. Se você está amamentando e tem sintomas, aja rápido: esvazie a mama, use calor, descanse, hidrate-se e procure ajuda. Se você não está amamentando e tem sintomas de “mastite”, também procure — porque a avaliação precisa ir além do diagnóstico rápido.

Fontes

Perguntas frequentes

Mastite só acontece na amamentação?
Não. Existe a mastite puerperal (durante amamentação, mais comum) e a mastite não-puerperal, que pode ocorrer em qualquer momento da vida — incluindo mulheres que nunca amamentaram e até mulheres na pós-menopausa.
Mastite precisa de antibiótico?
A maioria dos casos de mastite bacteriana precisa de antibiótico. Porém, o primeiro passo é identificar a causa: mastite por congestão do leite no início pode melhorar apenas com esvaziamento da mama, calor local e analgesia. Se os sintomas não melhoram em 24-48h ou há febre alta, o antibiótico é indicado.
Posso continuar amamentando com mastite?
Sim, e é recomendado. Esvaziar a mama é parte do tratamento. O leite materno durante mastite é seguro para o bebê — não há contaminação. Interromper a amamentação de repente pode piorar a mastite por aumento da retenção de leite.
Mastite pode ser câncer?
Mastite é geralmente um processo inflamatório ou infeccioso benigno. No entanto, uma forma rara de câncer chamada carcinoma inflamatório de mama pode imitar mastite — por isso, se os sintomas não melhoram após o tratamento adequado em 1-2 semanas, a mastologista deve reavaliar e considerar biópsia.
Como prevenir mastite durante a amamentação?
1) Esvaziar bem as duas mamas a cada mamada. 2) Variar a posição do bebê. 3) Pegar e soltar o mamilo corretamente. 4) Tratar rapidamente fissuras mamilares. 5) Evitar roupas apertadas. 6) Hidratar-se bem. 7) Descansar sempre que possível. 8) Ao primeiro sinal de ingurgitamento, ordenhar o leite excedente.

Precisa de avaliação mastológica?

A Dra. Luísa Vieira Souto atende em Nova Iguaçu e na Barra da Tijuca.

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